Conversei hoje com a Elena Quintana sobre meu novo livro. Isso me fez viajar no tempo… Lembrei de quando eu morava em Porto Alegre, dos papos na Francisco Ferrer. Com o sol de primavera iluminando nossos cérebros.

Prêmio MultiShow

O prêmio MultiShow é dia 18, terça que vem, as 21 hs.

Só para quebrar o jejum de minha ausência…

Entre shows, ensaios para o próximo – Autorretrato -, aparição no prêmio MultiShow com Milton Nascimento e Selton Melo (Milton+Selton+Kleiton) e muitos outros projetos. Depois conto mais.

Águia – 11/06/2001

Correr,correr, correr sem pensar sentindo a chuva batendo no rosto. As pernas não respondem ,até me envergonham porque se atrapalham, parecem pernas de mulherzinha, os joelhos se batem um no outro, não há força. Onde está minha habilidade, que merda! Mas dura pouco essa sensação, o casaco grosso que segura todas as chuvas e frios que incomodava já foi afastado. Agora sim. As pernas são as minhas de adolescente, criança sei lá. Respondem firme a dificuldade imposta pela subida acimentada e molhada. Pisa quase na ponta dos pés mas com total desenvoltura e equilíbrio. Meu corpo é um só respondendo cada músculo em uníssono. Corro, corro, corro nada me amedronta. Nem mesmo todos os animais do bosque acinzentado. Sépia mas belíssimo na sua frieza sem igual, na sua transparência lúgubre mas honesta, na sua tranqüila solidão. Consigo me afastar como alguém que vence, daquela sensação desagradável e pesada de estagnação, daquilo que não me queria livre, daquilo que me sufocava. Volto meu olhar e a hospedagem ficou longe. Ouço fraca a voz da irmã que chama sinalizando que tenho de voltar. Tenho que voltar, mas voltarei agora com todo o vigor que adquiri. Ou mais! Serei mais na volta. A volta não é para voltar ao passado ruim. É uma maneira de ir ao encontro de um novo momento. Lá serei outro.Tenho de aproveitar a volta também para crescer. Às vezes um retorno físico, uma medida em metros, quilômetros pode ser apenas uma ida mais longe. È na verdade sempre uma ida. As idas e vindas da vida são na verdade apenas idas pois a vida não retorna jamais . Apenas nos iludimos. A cada segundo, a cada metro percorrido não importa em que direção, estamos indo!!! Começo o caminho de volta, ou de ida ponto de partida ou de chegada, não importa. Meus pés voam. Flutuo sobre os escombros. Cada salto que dou sinto-me como na lua sem gravidade. Meu corpo desliza suavemente e vai muito além do que iria normalmente. Estou no comando disso. Quase caio sobre um chacal. Ou é um outro mordedor de gente, tolhedor de liberdade? Sigo meu vôo corrido, minha corrida voada.

Na arrancada havia o gosto da liberdade. Agora existe o risco de perde-la, mas não deixarei de graça. Pra tudo há um risco e estou ali faceiro , perdendo um pedaço talvez mas feliz por correr o risco, por não estagnar, por não me deixar iludir por mim mesmo por falsas comodidades. Um pássaro agressivo se agarra em minha perna, em minha bota. Estou chegando e ele insiste em não largar do meu pé!Sacudo a bota até que ele solta.

Estou com a adrenalina a mil e toda minha alegria interior se expressa através do meu corpo que parece maior que o normal. Meu irmão diz: “Tu viste o risco que correste? Havia uma águia branca ao teu lado”. A imagem maravilhosa da águia branca de asas abertas levitando paralela a mim que corria tresloucado, que voava ao lado no seu vôo baixo, vem fascinante à minha imaginação. O perigo e a nobreza, o bico adunco e temível e o planar inigualável, o branco da paz e o sangue da rapina, o sonho e a realidade dentro do sonho, ali juntos,contraditórios e harmônicos, ao meu lado. Dentro de mim, por mim e contra mim. Minha irmã alerta “Já aconteceu com uma criança e foi terrível!” . Percebo o risco que corri tantas vezes em minha vida sem saber, sem perceber a sede, a necessidade sem fim de ter a águia a meu lado sem saber, o gosto da liberdade mesmo que a um alto preço, mesmo que correndo um risco que nem tenho condições de mesurar.

A hospedagem é linda e rusticamente aconchegante. Mas o bosque é de uma beleza difícil de descrever pois a beleza é uma questão subjetiva. Entre os plátanos (?) há espaços, há transparência, há silêncio vivo. Os animais jamais estão em grupo. Há espaço para eles e eles estão sós em cada recanto, em cada lugar solitário e cheio de vida pacífica. Enquanto entro nesse lugar desconhecido e tão familiar, estou apaixonado por mim mesmo e apaixonado pelo exterior que é belo mas que esta mais belo em ressonância com meu desejo de viver. Se estivesse triste talvez o bosque fosse triste, sem graça. Talvez os animais não estivessem ali. Ou talvez fossem enormes e devoradores. Todos eles são pequenos, nos máximo do tamanho de um cão. Que belo paraíso me deste viagem (minha) inconsciente, mais que consciente dentro da ilusão do sonho. 

Aqui começa mais uma viagem bloguiana ou blogueira

Meus diários em geral são mentais mas acabo de escrever um livro chamado 12.comPASSOS (diário de um sonhador) só para ir contra a corrente. E aqui nos blogs pulsa qualquer coisa extraordinária da eternidade no instante. É vida no blog.
“… e a vida deve ser como um rio que desce a montanha. Ao invés de traçar uma linha reta, vai contornando as pedras do caminho, os obstáculos do trajeto para chegar com certeza ao mar, seu destino”.
Esse trecho inspirado no I CHING, sugere que o rio deve fluir dando voltas e mais voltas… E nessas reviravoltas vou passar por aqui. Quem me conhece da música pode perceber outras atitudes: vida acadêmica, sonhos, livros, esportes, projetos sem fim. Sei lá… Vamos deixar o rio correr.

Video Release

O Vôo do Dragão

Livro infantil destinado a auxiliar o ensino musical. Fartamente ilustrado reúne histórias, gravuras e partituras que envolvem as crianças num processo lúdico e educativo.
Um pequeno dragão precisa aprender a voar. Para que isso aconteça, é preciso cantar, tocar um instrumento, fazer música que é o alimento da alma e do vôo do dragão. As crianças são conduzidas a um mundo onde o dragãozinho é o cicerone, levando-as através de muitas aventuras, com muitos outros personagens, que contribuem com melodias e percepções musicais variadas.

Acompanha o livro, CD com gravações das canções entoadas por vozes infantis e participação de Kleiton. Para iniciantes no aprendizado musical e material complementar para professores de música.

SONHOS E SONHADORES

Autor: Kleiton Ramil
Editora: FiveStar

Os dois maiores desafios para o conhecimento humano são os mesmos desde que começamos a raciocinar: a natureza do Universo e o funcionamento do nosso cérebro. Com a diferença que as especulações sobre o Universo já chegaram perto, se não de uma explicação final pelo menos de algumas certezas irretratáveis, enquanto ainda sabemos pouquíssimo sobre os processos da nossa mente – inclusive sobre o seu poder de especular. Conhecemos melhor as estrelas distantes do que o Universo que temos por dentro, que ainda nos intriga e deslumbra como no tempo das cavernas. E entre os mistérios do cérebro nenhum é tão fascinante quanto o sonho, essa segunda vida que nos transporta a outro mundo, essa criação involuntária que transforma até cavalões, dormindo, em mestres do surrealismo. Sonhando, todos são, desde criança, simbolistas geniais. De onde vem isso? Como é que funciona? Este livro explora nosso universo interno através da experiência onírica do seu autor e de outros sonhadores. Mas o autor não é apenas outro especulador. Trata-se de um artista, que alia à sua pesquisa rigorosa e às suas leituras exaustivas sobre o assunto uma sensibilidade rara, evidente para quem já ouviu sua voz e suas composições (para não falar no seu violino). O que faz do seu trabalho, mais do que um livro de sonhos, um livro de sonho.

Luis Fernando Verissimo

Release

“Sonhos e sonhadores” é um livro diferente. O autor abre sua “caixa de tesouros” para dividir com o leitor viagens deliciosas no mundo onírico. Kleiton Ramil (Kleiton & Kledir) acredita que simplesmente anotar seus sonhos e debruçar-se sobre eles traz ao sonhador acesso, por observação ou associação, a informações do seu subconsciente que se tornam de valor inestimável para a vida. Aqui ele divide suas experiências conosco como modelo, seu caminho “pessoal e instrasferível”, mas sem dúvida instigante e que vai despertar o interesse de todos para essa forma particular de ampliar a percepção do mundo que nos cerca.
O livro indica manerias de lembrar os sonhos ao despertar assim como sugere formas de interrogar o que neles se observa, seja pelos inúmeros exemplos citados de outros autores como pelos caminhos que ele mesmo elegeu e experimentou.
O autor começou nos anos 70 a fazer pesquisas com material onírico. Durante o período que se seguiu até hoje reuniu milhares de sonhos anotados e comentados. Tornou-se um auto-didata no assunto, através de estudos dos mestres da psique como Freud, Jung, Marie-Louise von Franz entre outros. Fez vários tipos de terapias que também propiciaram intensas oportunidades para mergulhar nos sonhos com a supervisão de especialistas, o que o ajudou a trilhar um caminho original, unindo interesse genuíno e conhecimento adquirido.
No início do livro um misterioso sonho lúcido convida o leitor a mergulhar no assunto. Após o texto de abertura encontra-se uma deliciosa “História resumida dos sonhos” que revela que os sonhos já eram celebrados e pesquisados desde os tempos dos Egípcios, passando por Gregos, Romanos e outros povos antigos, até nossos dias. Em “Sonhos premonitórios”, relembra sonhos clássicos e exemplifica casos menos conhecidos, abordando a seguir Cuningham, Freud, Jung e Marie Louise von Franz e desenvolvendo, de forma sucinta, o pensamento destes e de outros estudiosos da psique.
Essa primeira parte prepara o leitor para acompanhar 23 sonhos selecionados que aparecem na segunda, redigidos com riqueza de detalhes e o mais fielmente possivel aos originais, sendo em seguida comentados e discutidos.
“- Inicialmente pensei em fazer um livro só apresentando os sonhos como haviam sido sonhados, com os comentários que sempre faço a seguir, onde exploro de várias formas possíveis a aventura de descobrir significados ou de apenas mergulhar nessas histórias incríveis e tão familiares ao mesmo tempo. Porém percebi que havia outras informações interessantes que eu poderia passar para as pessoas, dividindo com elas um pouco de tudo que li e aprendi. Assim o livro ganhou duas partes”, diz o autor.
O texto todo está exaustivamente ilustrado com citações de diversos autores e não há em “Sonhos e sonhadores” a intenção de apresentar idéias definitivas sobre o assunto, ou defender Escolas. É um livro sonhado e escrito por um artista apaixonado pelo que relata e que, depois de mais de 30 anos de pesquisa, decidiu dividir essa experiência fascinante com o público.

A MUSA

Mogi Guaçu, 18 maio de 2009
Ela morava na casa em frente. Linda. 25 anos talvez? Morava com sua mãe e alguns animais, cães pequenos na maioria.

A casa era toda envidraçada o que permitia vê-la circulando, o suficiente para me deixar apaixonado. Um belo dia tomei coragem e entrei. Ela me recebeu muito bem sem suspeitar de minha paixão. Sua mãe também era cordial e receptiva.

Depois de alguma convivência joguei-me sobre ela, um dia, e a beijei com vontade. Fui um pouco estabanado e quase caímos em cima da mesa, pelo impulso que tomei. Fui até o quintal onde cães vinham de todo lado. Consegui ficar calmo, apesar de ser um estranho entre eles.
Um novo beijo selou nossa relação. Fiquei mais tranqüilo. Ela porém,estava um pouco diferente, sua boca era menor, suas feições levemente alteradas. Parecia outra pessoa. Então fez a pergunta: “Porque você no primeiro beijo estava tão agitado?”. Fiquei em silêncio pensando que sentira vergonha de expressar minha atração por ela, foi um impulso, quis beijá-la de repente… Mas não falei nada.

Voltei para casa onde morava com um tia em uma ampla casa. Antiga, misteriosa. Ela chegou da rua e perguntou o que eu andava fazendo. Disse apenas que havia feito amizade com as vizinhas em frente e que elas me mostraram vários animais diferentes (creio que havia outros bichos pequenos além de cães).

Mais tarde caminhei para encontrar minha musa em um curso que fazia na mesma rua, mais adiante. Cheguei lá e falei com algumas pessoas. O pessoal era simpático, mas não fiquei muito tempo por ali, pois não a encontrei. Tinha coisas a fazer. Havia chovido e havia poças de água por todo lado. Não estava fácil de andar.

A última lembrança que tenho desse sonho é que caminhava, sem destino definido, mas carregava comigo o sentimento pleno da musa que sempre estaria comigo.