O SUL EM CIMA 30 / 2024



Nascido em Jaguarão / RS, Pery Souza integrou a primeira formação do grupo Almôndegas, criado na década de 1970 pelos seus primos, os irmãos Kleiton e Kledir, além de Gilnei Silveira e Eurico Guimarães de Castro Neves (Quico). Pery foi compositor, cantor, instrumentista, arranjador e um percussionista excepcional. Na música ‘Quadro Negro’ tem um set (especial) só de percussão onde podemos ouvir esse, que era um dos seus grandes talentos. Neste set ele toca cubana e Gilnei, Bangô. Os dois levantavam a platéia em suas performances ao vivo. Autor de canções como “Noite de São João”, “Estrela Guria”, “Pampa de Luz” e “Sonho Sideral”, Pery era formado em composição e regência pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, trabalhou como professor, dirigiu corais em escolas, criando muitos arranjos. Pery era um artista eclético,trabalhando com vários estilos. Suas canções também tiveram a interpretação de vários artistas. Pery também dedicou um tempo precioso a criar música infantil, além de dar aulas para crianças. Um desses lindos trabalhos foi “Pequenas observações sobre a vida em outros planetas” que é um livro de poemas para crianças, de autoria de Ricardo Silvestrin, lançado em 1998 pela editora Projeto, de Porto Alegre. Em 2004, teve uma nova edição pela editora Salamandra, de São Paulo. Essa segunda edição foi incentivada por Ziraldo, que era fã desse livro, e que o apresentou à editora paulista. Pery musicou, por sua própria iniciativa, os 18 poemas do livro.
Pery Souza foi um artista que atuou em vários segmentos da música. Podemos citar a Missa da Terra Sem Males. Projeto de Dom Pedro Casaldáliga. Pery escreveu arranjos e regeu corais e orquestra em vários espetáculos. A primeira apresentação foi na Catedral da Sé em São Paulo em 1980 e depois em outras partes do país. Textos de Dom Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra e Músicas da autoria de Martín Coplas, com temática indígena. Fernando Brandt tbm estava na estréia da Missa na Catedral da Sé. Daí surgiu a ideia que originou a Missa do Quilombo, também com Dom Pedro Casaldáliga, nesse caso com temática sobre afro-descendentes. Em 1984, Pery lança o disco Pery Souza (RBS Discos / Som Livre) que é uma obra-prima de fusão entre o pop e o regional – reeditado em CD em 1998, independente, com financiamento do Fumproarte da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Neste disco, compôs músicas com Jerônimo Jardim, Luiz Coronel, Fogaça, Raul Ellwanger, além de gravar com Luiz Carlos Borges, Pedrinho Figueiredo e Kleiton e Kledir. Na carreira solo, além do disco Pery Souza (de 1984), lançou também Milonga do Pendular Encontro (1996) que é todo de parcerias suas com o letrista (e psicanalista) Jaime Vaz Brasil. Outro trabalho de mestre, lançado independente. Em 1985, a canção Pampa de Luz teve enorme destaque no 3º Musicanto de Santa Rosa. Infelizmente o cantor e compositor gaúcho Pery Alberto Alves de Souza, mais conhecido como Pery Souza, nos deixou em 2 de setembro de 2024, aos 71 anos. Longe dos palcos há mais de 10 anos, ele lutava contra o Alzheimer e estava internado em uma clínica na Capital gaúcha. Lastimamos a partida desse grande artista.
Músicas: 01 – Olavo e Dorotéia (Uma Louca Estória de Amor ) – Pery Souza/ Kledir Ramil – com Almôndegas // Quadro Negro – Kledir Ramil – com Almôndegas // 03 – Moradia – Luiz Coronel / Pery Souza – com Olívia Hime – part. Roupa Nova // 04- Mulheres do Brasil – José Fogaça e Pery Souza – com Elaine Geissler, Isabela Fogaça, Loma, Ângela Jobim e Marisa Rotenberg // 05 – Noite de São João – Pery Souza e Kledir Ramil – com Kleiton & Kledir // 06 – Planeta Poft – com Kleiton & Kledir // 07 – Planeta Gugus – com Pery Souza // 08 Planeta Coração – com Pery Souza (músicas 6,7 e 8 de Pery Souza e Ricardo Silvestrin // 09 – Estrela Guria // 10 – Sonho Sideral // 11 Para Sempre Amigo (músicas 9,10 e 11 de Fogaça e Pery Souza) // 12 – Pampa de Luz – Pery Souza e Luiz de Miranda -com Pery Souza e Flávio Medina // 13 – Milonga Borgeana – Pery Souza e Jaime Vaz Brasil – part. Vitor Ramil // 14 – Um Cheiro Bom de Mar – Pery Souza e Fogaça

Em 1974, Milton Nascimento gravou em Los Angeles (Califórnia, EUA) um álbum com o compositor e saxofonista norte-americano Wayne Shorter (1933 – 2023). Lançado em janeiro de 1975, o LP Native dancer amplificou o alcance da música do artista brasileiro ao redor do mundo, sobretudo no universo do jazz. Decorridos 50 anos, Milton Nascimento – já entronizado como entidade da música brasileira – se une em disco a outro nome do jazz dos Estados Unidos. Milton Nascimento e a cantora de jazz norte-americana Esperanza Spalding lançaram em agosto, o seu álbum colaborativo “Milton + Esperanza“ (Concord Records) em todas as plataformas digitais, CD físico e Vinil. Gravado na cidade do Rio de Janeiro (RJ) ao longo de 2023, com produção musical e arranjos de Esperanza Spalding, o álbum flagra a artista dos Estados Unidos cantando em português, às vezes com sotaque, como em Cais (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972), às vezes praticamente sem, como em Saci (Guinga e Paulo César Pinheiro), faixa de clima bucólico – feita com a participação de Guinga – que reforça a espiritualidade do disco , sobretudo quando Milton invoca o Saci com a voz.
“Milton + esperanza“ apresenta 16 faixas que celebram e reimaginam os clássicos amados de Nascimento, novas peças escritas por spalding pensando em Nascimento e interpretações de “A Day in the Life”, dos Beatles, e “Earth Song”, de Michael Jackson. Os convidados são nomes de peso, incluindo Dianne Reeves, Lianne La Havas, Maria Gadú, Tim Bernardes, Carolina Shorter, Elena Pinderhughes, Shabaka Hutchings, Paul Simon, Guinga e outros. O disco conta com a banda principal de Spalding, composta por Matthew Stevens (guitarra), Justin Tyson e Eric Doob (bateria), Leo Genovese (piano), Corey D. King (vocais, sintetizadores) e vários músicos brasileiros, incluindo a Orquestra Ouro Preto, os percussionistas Kainã Do Jêje e Ronaldinho Silva e o violonista Lula Galvão.
“Milton + Esperanza” brilha com duetos entre essas duas vozes, músicos requintados e o que Spalding identifica como um tema central do álbum: a importância de as gerações mais jovens criarem, aprenderem e construírem novos mundos com os mais velhos. Um espírito guia para o projeto foi Wayne Shorter, cuja colaboração com Nascimento, “Native Dancer”, foi lançada há quase 50 anos.
Com cinco prêmios GRAMMY® e onze indicações, Spalding já lançou oito álbuns completos. Além de trabalhar com seus heróis, incluindo Nascimento e Shorter, ela colaborou com Prince, Herbie Hancock, Janelle Monáe e muitos outros.
Músicas: 01 – Cais – Ronaldo Bastos e Milton Nascimento // 02 – Outubro – Fernando Brant e Milton Nascimento // 03 – A Day in the Life – John Lennon e Paul McCartney // 04 – Wings for the Thought Bird – (Esperanza Spalding) | Participação especial Elena Pinderhughes e Orquestra Ouro Preto // 05 – Saci – Guinga e Paul César Pinheiro | Participação especial Guinga // 06 – Morro Velho – Milton Nascimento / Participação especial Orquestra Ouro Preto // 07 – Earth Song – (Michael Jackson) | Participação especial Dianne Reeves // // 08 – Um Vento Passou (Para Paul Simon) – Marcio Borges e Milton Nascimento | Participação especial Paul Simon // 09 – Saudade dos Aviões da Panair (Conversando no Bar) – Fernando Brant e Milton Nascimento – | Participação especial Lianne La Havas, Maria Gadú, Tim Bernardes, Lula Galvão
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Nessa edição de O SUL EM CIMA, vamos mostrar os trabalhos de CLÁUDIA CASTELO BRANCO e GUILHERME SILVEIRA
CLÁUDIA CASTELO BRANCO – A obra do compositor e sanfoneiro Sivuca é o foco de Claudia Castelo Branco e que já está em todas as plataformas de streaming. Mergulhada nas canções do mestre, a cantora, pianista, compositora e arranjadora lança o álbum “Viva Sivuca”, em que homenageia aquele que ela define como “ponte entre o fole, as teclas e o coração”. Nessa empreitada, a artista contou com o auxílio luxuoso de dois excelentes músicos: Marcos Suzano na percussão e Fred Ferreira no baixo e na guitarra. O álbum traz sucessos de Sivuca, como “Feira de mangaio” (Sivuca e Glorinha Gadelha) – numa versão de caráter mais leve e misterioso, que vai se revelando aos poucos, numa conversa entre a voz, o baixo, as percussões e o piano – e “João e Maria” (Sivuca e Chico Buarque). Na faixa, Claudia teve como convidado especial o cantor Pedro Miranda em um diálogo surrealista entre o piano e a guitarra, conta Claudia, que aproveitou para homenagear também Chico Buarque por seus 80 anos de vida.
Sobre Claudia Castelo Branco – Pianista, compositora e cantora carioca, Claudia Castelo Branco completou 20 anos de carreira. Integra o Duo Gisbranco ao lado de Bianca Gismonti, com quem lançou cinco álbuns e conquistou o Prêmio Profissionais da Música de Arranjadoras (2021). Tocou em diversos países da Europa, como França, Holanda, Espanha, Portugal e Itália, além de Canadá, Chile e Argentina. Apresentou-se nos mais importantes palcos do Brasil e do mundo como Sala Cecilia Meireles (RJ), Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Sala São Paulo, Rio Montreaux Jazz Festival,Duc des Lombards (Paris), Concertgebouw (Amsterdam), Teatro São Luiz (Lisboa). Lançou, em 2021, seu primeiro disco solo, “Cantada Carioca”, e, em 2024, o álbum “Viva Sivuca”. Faz parte do grupo de compositores Selva Lírica, com Ilessi, Demarca e Thiago Thiago de Mello. Recebeu o Prêmio Profissionais da Música em 2023, na categoria Autora – música e letra. Já dividiu o palco com Chico César, MPB4, Mônica Salmaso, Jaques Morelenbaum, Mariana Aydar, entre outros artistas. É bacharel em Piano pela UFRJ, estudou composição em Ithaca College (Nova Iorque) e é mestre em Composição pela UNIRIO. Músicas do pgm: 01 – Adeus Maria Fulô – Sivuca / Humberto Teixeira // 02 – Feira de Mangaio – Sivuca / Glorinha Gadelha // 03 – Amor Verdadeiro – Sivuca / Luiz Bandeira // 04 – João e Maria – Sivuca / Chico Buarque // 05 – Cheirinho de Mulher – Sivuca / Glorinha Gadelha // 06 – Cabelo de Milho – Sivuca / Paulinho Tapajós
GUILHERME SILVEIRA – Guilherme Silveira, é violonista, bandolinista, compositor e arranjador brasileiro, radicado em Paris desde 2019. Com uma trajetória profissional de mais de 20 anos, carrega diversas experiências em diversas formações musicais. Atuou também, como compositor, arranjador e instrumentista, em gravações para diversas peças de teatro e publicidade. No ano de 2023 lançou seu EP intitulado ” Un Autre Sens”, este se trata de um trabalho que reúne e expressa diversas referências musicais que se desdobram ao longo do tempo. As diferentes fases e períodos das composições convergem para um sentido único onde se agrupam na diversidade estética da música brasileira. Desde seu lançamento, o EP “Un Autre Sens” já tocou em emissoras de rádio da Espanha, Japão, Peru, Brasil e Argentina. Atualmente trabalha na divulgação de seu segundo álbum intitulado “Guilherme Silveira”, onde podemos encontrar referências à música brasileira, atravessando o regionalismo de norte a sul do país, misturando sotaques tradicionais e a sofisticação da música improvisada. Da mesma forma, e em composições mais recentes, ainda podemos encontrar referências imagéticas ao quotidiano parisiense. O álbum Guilherme Silveira contou com a participação de grandes músicos, verdadeiras referências na música brasileira enriquecendo muito as composições e a interpretação. As gravações aconteceram no Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre e Paris. Participaram os músicos: Itamar Assiere (piano/teclado Fender Rhodes), Márcio Bahia (bateria), Ney Conceição (contrabaixo, baixo elétrico/baixo fretless), Jonathan Augusto (clarinete), Luci Bispo (percussão), Amina Mezaache (flauta), Pedrinho Figueiredo (flauta) – Músicas do álbum Guilherme Silveira (todas de autoria de Guilherme): 01 – Sei não! // 02 – 7 Rue Biot // 03 – Frio Y Mate // 04 – São Filomeno // 05 – Les Airs de Paris // 06 – Rouler Dans La Farine
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