O SUL EM CIMA 31 / 2025

Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu  em 17 de outubro de 1847. Seu pai era o militar José Basileu Neves Gonzaga e a mãe Rosa, filha de uma escrava. Foi educada para os ofícios do lar, ser uma dama da sociedade e aprendeu sozinha a tocar piano. Se consagrou como Chiquinha Gonzaga, musicista talentosa que contribuiu para a gênese da música brasileira.
Por imposição do pai, casou-se com o empresário Jacinto Ribeiro do Amaral quando tinha 16 anos. A união durou dois anos e, aos 18, Chiquinha Gonzaga vai viver com o engenheiro João Batista de Carvalho. A vida amorosa da pianista foi marcada por escândalos para a época, porque divorciou-se também do segundo marido, que a traiu. A família não lhe deu apoio e Chiquinha voltava-se, cada vez mais, para a música, após perder a guarda dos filhos. A partir de 1877, passou a fazer da música uma profissão, condição ainda inédita para a figura feminina no Brasil. Sua estreia como compositora se deu com a polca ‘Atraente’. Mantinha-se como professora em casas particulares e pianista no conjunto do flautista Joaquim Callado. Passou a aperfeiçoar sua técnica com o pianista português Artur Napoleão, também seu editor, e a tentar escrever partituras para o teatro musicado.
Mulher e mestiça, enfrentou todos os preconceitos da sociedade patriarcal e escravista para se firmar como pianista, compositora, regente e, por fim, líder de classe em defesa dos direitos autorais. Sua obra é estimada em trezentas composições, incluindo partituras para dezenas de peças teatrais. Precursora em várias frentes, Chiquinha foi a primeira mulher a compor para o teatro nacional. A consagração com a música chega na virada do século, com a marchinha “Ó Abre Alas”. A canção foi repetida na passagem do século XIX para o século XX e é mantida no repertório carnavalesco até os dias atuais.
Quando chega aos 52 anos, mais um português marca a vida de Chiquinha. João Batista Fernandes Lage tinha 16 anos quando se envolveu com a brasileira. Ele ainda adotou o sobrenome dela e passou a assinar João Batista Gonzaga. Foi o companheiro que a ajudou na organização da “Sociedade Brasileira de Autores Teatrais”. A organização ajudou a proteger os direitos autorais da artista.
No Rio de Janeiro do final do século XIX, quando inexistia qualquer forma de registro sonoro e o carioca fazia do assobio um verdadeiro instrumento de divulgação musical, o teatro musicado foi um fenômeno de grande popularidade. Para uma jovem pianista, professora e compositora, escrever partitura para o teatro significava prestígio, fama e renda. Autora de polcas, tangos e valsas de sucesso desde que estreara, em 1877, Chiquinha Gonzaga desenvolveu atividade intensa como compositora de partituras para os palcos populares a partir da década de 1880. Musicou, integral ou parcialmente, peças do gênero opereta, comédia, burleta, revista cômica, revista do ano, drama, zarzuela, ópera cômica, peça fantástica, drama lírico, peça de costumes, etc. 
Seus parceiros libretistas vão desde Palhares Ribeiro, estreante como ela em 1885, a nomes destacados no meio teatral, jornalístico e literário como Raul Pederneiras, Luiz Peixoto, João Phoca, Carlos Bettencourt, o Assombro; e mais Filinto de Almeida, Osório Duque Estrada, Valentim Magalhães e Viriato Corrêa, estes membros da Academia Brasileira de Letras. 
O CD ‘Chiquinha em Revista’ lançado originalmente em CD pelo Selo Sesc em 2009,  traz um repertório praticamente desconhecido de obras da pianista, maestrina e compositora Chiquinha Gonzaga. Composto de canções para o teatro de revista e composições instrumentais que transitam por diversos gêneros, o trabalho propõe um olhar contemporâneo para obras da compositora. Este CD foi idealizado pelos músicos, compositores e arranjadores Gilberto Assis e Ana Fridman. O disco apresenta 13 canções de Chiquinha Gonzaga com participação de Ná Ozzetti, Vange Milliet, Suzana Salles, Carlos Careqa e Rita Maria. O álbum “Chiquinha em Revista” chega aos streamings de música após 15 anos do lançamento em CD.
Chiquinha Gonzaga teve seu trabalho reconhecido em vida, sendo festejada pelo público e pela crítica. Personalidade exuberante, ela foi dos compositores brasileiros a que trabalhou com maior intensidade a transição entre a música estrangeira e a nacional. Com isso, abriu o caminho e ajudou a definir os rumos da música propriamente brasileira, que se consolidaria nas primeiras décadas do século XX. Atravessou a velhice ao lado de João Batista Fernandes Lage, carinhosamente chamado de Joãozinho, e a quem se agradece a preservação do seu legado musical.  Chiquinha Gonzaga morreu no Rio de Janeiro, aos 87 anos, em 28 de fevereiro de 1935.  A importância de Chiquinha Gonzaga para a música nacional foi reconhecida também por lei. A partir de 2012, na data do nascimento da artista, 17 de outubro, passou a ser comemorado o “Dia da Música Popular Brasileira”.
Músicas do pgm: 01 – Pudesse essa Paixão // 02 – Falena // 03 – Cubanita //  04 – Abre Alas – álbum Chiquinha Gonzaga de Maria Teresa Madeira – Arr. Marcus Viana // 05 – Cananéa  // 06 – Lua Branca // 07 – Atraente – músicas 5, 6 e  7 –  álbum Chiquinha Gonzaga de Maria Teresa Madeira e Marcus Viana que interpretam arranjos para piano e violino de músicas da compositora Chiquinha Gonzaga // 08 – Passos no Choro – part Ana Fridman // 09 – Fogo Foguinho – Chiquinha Gonzaga e Viriato Corrêa – part Rita Maria // 10 – Sou Morena – Chiquinha Gonzaga e Viriato Corrêa – part Vange Milliet // 11 – A Chinelinha do Meu Amor – Chiquinha Gonzaga e Viriato Corrêa – part Suzana Salles // 12 – Tava Assim de Português – Chiquinha Gonzaga e Marques Pôrto  – part Carlos Careqa // 13 – Itararé – part Ana Fridman // 14 – Corta- Jaca – Chiquinha Gonzaga e Machado Careca – part Ná Ozzetti – Músicas 8,9,10,11, 12, 13 e 14 do álbum Chiquinha em Revista 
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Para saber mais sobre Chiquinha Gonzaga: https://chiquinhagonzaga.com/wp/

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