{"id":1298,"date":"2017-11-03T10:18:05","date_gmt":"2017-11-03T12:18:05","guid":{"rendered":"http:\/\/osulemcima.com\/blog\/?p=1298"},"modified":"2017-11-03T10:18:05","modified_gmt":"2017-11-03T12:18:05","slug":"o-sul-em-cima-vitor-ramil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/2017\/11\/03\/o-sul-em-cima-vitor-ramil\/","title":{"rendered":"O Sul Em Cima &#8211; Vitor Ramil"},"content":{"rendered":"<p><em>O SUL EM CIMA dessa semana \u00e9 dedicado a obra de VITOR RAMIL, mostrando em especial m\u00fasicas de seu mais recente trabalho CAMPOS NEUTRAIS<\/em><\/p>\n<p><strong>Parte 1:<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1298-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/www.osulemcima.com\/wa_files\/OSEC2017-36a.mp3?_=1\" \/><a href=\"http:\/\/www.osulemcima.com\/wa_files\/OSEC2017-36a.mp3\">http:\/\/www.osulemcima.com\/wa_files\/OSEC2017-36a.mp3<\/a><\/audio><\/p>\n<p><strong>Parte 2:<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-1298-2\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"http:\/\/www.osulemcima.com\/wa_files\/OSEC2017-36b.mp3?_=2\" \/><a href=\"http:\/\/www.osulemcima.com\/wa_files\/OSEC2017-36b.mp3\">http:\/\/www.osulemcima.com\/wa_files\/OSEC2017-36b.mp3<\/a><\/audio><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>VITOR RAMIL<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1299\" src=\"http:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/vitor_ramil_05_-_cr\u00e9dito_marcelo_soares-1024x683.jpg\" alt=\"vitor_ramil_05_-_cr\u00e9dito_marcelo_soares\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/vitor_ramil_05_-_cr\u00e9dito_marcelo_soares-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/vitor_ramil_05_-_cr\u00e9dito_marcelo_soares-300x200.jpg 300w, https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/vitor_ramil_05_-_cr\u00e9dito_marcelo_soares-768x512.jpg 768w, https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/vitor_ramil_05_-_cr\u00e9dito_marcelo_soares-900x600.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/strong>Compositor, cantor e escritor, o ga\u00facho Vitor Ramil come\u00e7ou sua carreira art\u00edstica ainda adolescente, no come\u00e7o dos anos 80. Aos 18 anos de idade gravou seu primeiro disco\u00a0<em>Estrela, Estrela<\/em>\u00a0(1981), com a presen\u00e7a de m\u00fasicos e arranjadores que voltaria a encontrar em trabalhos futuros, como Egberto Gismonti, Wagner Tiso e Luis Avellar, al\u00e9m de participa\u00e7\u00f5es das cantoras Zizi Possi e Tet\u00ea Esp\u00edndola.<\/p>\n<p>1984 foi o ano de\u00a0<em>A paix\u00e3o de V segundo ele pr\u00f3prio<\/em>. Com um elenco enorme de importantes m\u00fasicos brasileiros, este disco experimental e pol\u00eamico, produzido por Kleiton e Kledir, proporcionou ao p\u00fablico uma esp\u00e9cie de antevis\u00e3o dos muitos caminhos que a inquietude levaria Vitor Ramil a percorrer futuramente. Eram 22 can\u00e7\u00f5es cuja sonoridade ia da m\u00fasica medieval ao carnaval de rua, de orquestras completas a instrumentos de brinquedo, da eletr\u00f4nica ao viol\u00e3o milongueiro. As letras misturavam regionalismo, poesia proven\u00e7al, surrealismo e piadas. Deste disco a grande int\u00e9rprete argentina Mercedes Sosa gravou a milonga Semeadura.<\/p>\n<p>Nos anos seguintes, Vitor Ramil\u00a0 lan\u00e7ou os \u00e1lbuns:\u00a0<em>TANGO<\/em>\u00a0(1987),<em>\u00a0\u00c0 Be\u00e7a<\/em>\u00a0(1995),\u00a0<em>Ramilonga<\/em>\u00a0(1997),\u00a0<em>Tambong<\/em>\u00a0(2000),\u00a0<em>Longes<\/em>\u00a0(2004),\u00a0<em>Satolep Sambatown<\/em>\u00a0 (2007),\u00a0<em>D\u00e9lib\u00e1b<\/em>(2010),\u00a0<em>Foi no M\u00eas de Vem<\/em>\u00a0(2013) e\u00a0<em>Campos Neutrais<\/em>\u00a0(2017), seu d\u00e9cimo primeiro disco e o primeiro gravado em Porto Alegre.<\/p>\n<p><strong>CAMPOS NEUTRAIS<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1300\" src=\"http:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capa-1024x1024.jpg\" alt=\"capa\" width=\"750\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capa-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capa-150x150.jpg 150w, https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capa-300x300.jpg 300w, https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capa-768x768.jpg 768w, https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capa-900x900.jpg 900w, https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/capa.jpg 1400w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><br \/>\n<em>Campos Neutrais \u00e9<\/em>\u00a0o nome do novo \u00e1lbum e songbook que Vitor Ramil est\u00e1 lan\u00e7ando. \u00c9 tamb\u00e9m o nome de uma das quinze can\u00e7\u00f5es do repert\u00f3rio. Querem saber de onde vem esse nome?<\/p>\n<p>No Tratado de Santo Ildefonso, assinado no ano de 1777 pelos reinos de Portugal e Espanha, foi definida uma \u00e1rea neutral. Segundo o historiador Tau Golin, tratava-se originalmente de uma faixa-fronteira que atravessava o Rio Grande do Sul no sentido sudeste-noroeste.<\/p>\n<p>Uma linha dessa faixa corria junto \u00e0s nascentes de rios que corriam para o Rio de la Plata; a outra, junto \u00e0s nascentes dos rios que corriam para o mar. A primeira delimitava o territ\u00f3rio pertencente a Espanha; a segunda, o de Portugal. Como o crit\u00e9rio n\u00e3o se aplicava \u00e0 costa, fixou-se como zona neutra a extensa plan\u00edcie que hoje compreende, aproximadamente, os munic\u00edpios de Santa Vit\u00f3ria do Palmar e Chu\u00ed, incluindo as lagoas Mirim e Mangueira, as l\u00ednguas de terra entre elas e a costa do mar.<\/p>\n<p>Segundo o acordo, os espanh\u00f3is n\u00e3o passariam os arroios Chu\u00ed e S\u00e3o Miguel, ao norte. O limite ao sul para os portugueses seria o arroio Taim &#8211; linha reta at\u00e9 o mar. Com os anos, essa esp\u00e9cie de terra sem dono no extremo sul do Brasil viria a se tornar conhecida como os Campos Neutrais.<\/p>\n<p>Os Campos Neutrais, atraindo para si toda a m\u00edstica dos &#8220;espa\u00e7os neutroz&#8221;, conforme definido no Tratado, entraram para a hist\u00f3ria como uma zona que, nos dizeres de Tau Golin, sofreu &#8220;confusa e criativa ocupa\u00e7\u00e3o&#8221;, pois o consider\u00e1vel espa\u00e7o que, segundo o Tratado, deveria ser de ningu\u00e9m, transformou-se logo &#8220;em atrativo, principalmente para aventureiros de diversas origens, gaud\u00e9rios, caboclos, sertanejos, e pobres do campo em geral, que nela passaram a transitar, prear o gado al\u00e7ado, ou a se estabelecer, em contato com grupos ind\u00edgenas que centenariamente j\u00e1 estavam na regi\u00e3o. Nesta intrus\u00e3o, destacaram-se os ga\u00fachos lusos e castelhanos, e os paulistas&#8221;.<\/p>\n<p>Outro historiador, Anselmo F. Amaral, chama aten\u00e7\u00e3o para &#8220;o acerto que fizeram as autoridades portuguesas e castelhanas quanto aos escravos que nos Campos Neutrais se estabelecessem, fugindo aos maus tratos dos patr\u00f5es. Deveriam merecer eles prote\u00e7\u00e3o das autoridades, tanto do Taim como do Chu\u00ed&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda segundo o autor, os Campos Neutrais tamb\u00e9m foram lugar de ref\u00fagio e atividade para o changador &#8211; &#8220;homem sem Deus, sem rei e sem lei&#8221;<em>\u00a0&#8211;\u00a0<\/em>que apesar de ser tido como matreiro, bandido, abigeat\u00e1rio ou contrabandista, \u00e9 considerado o ga\u00facho primitivo &#8211; filho de espanh\u00f3is ou portugueses com as \u00edndias -, que &#8220;agia sempre atendendo \u00e0 sua condi\u00e7\u00e3o de homem tel\u00farico. Sempre s\u00f3 &#8211; t\u00e3o somente ele na imensa pradaria! &#8211; estaria, assim, obrigado a adquirir uma concep\u00e7\u00e3o infinita de liberdade&#8221;.<em>\u00a0<\/em>O esp\u00edrito dos Campos Neutrais e o modo de vida dos primeiros ga\u00fachos &#8211; a m\u00edtica combina\u00e7\u00e3o de vida campeira livre e aventuresca com avers\u00e3o \u00e0 autoridade &#8211; tinham, portanto, a mais completa afinidade.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as \u00e0 rica mistura humana, ocorrida em grande parte \u00e0 revelia das determina\u00e7\u00f5es oficiais dos reinos envolvidos, os Campos Neutrais tornaram-se emblem\u00e1ticos da condi\u00e7\u00e3o de fronteira do Rio Grande do Sul e do temperamento de seu povo. Na geografia, s\u00e3o hoje simbolizados principalmente pela reserva ecol\u00f3gica do Taim e seu entorno. No imagin\u00e1rio contempor\u00e2neo, abrigam ideias como liberdade, diversidade humana e lingu\u00edstica, miscigena\u00e7\u00e3o, comunh\u00e3o, criatividade, fantasia e realidade, anti-oficialismo, anti-xenofobismo, inconformismo ou subvers\u00e3o, afirmando-se dessa forma tamb\u00e9m como uma reserva ecol\u00f3gica cultural.<\/p>\n<p><strong>O \u00c1LBUM<\/strong><\/p>\n<p>Foi com a inten\u00e7\u00e3o de corresponder a esse significado dos Campos Neutrais que foram reunidas as quinze m\u00fasicas. O \u00e1lbum tem tr\u00eas idiomas, portugu\u00eas, espanhol e ingl\u00eas; milongas e can\u00e7\u00f5es de muitos acentos e sotaques; parcerias com o paraibano Chico C\u00e9sar e o maranhense Zeca Baleiro, com o poeta de Bel\u00e9m do Par\u00e1 Jo\u00e3ozinho Gomes, com a poeta pelotense Ang\u00e9lica Freitas; m\u00fasica para poema do portugu\u00eas Ant\u00f4nio Boto; uma vers\u00e3o para um cl\u00e1ssico do norte-americano Bob Dylan, outra para uma can\u00e7\u00e3o do galego X\u00f6el Lopez; letras que fazem refer\u00eancia a Satolep, Montevideo, Punta del Diablo, Buenos Aires, Bel\u00e9m do Par\u00e1, Barcelona, Londres, Hermenegildo\u00a0e aos pr\u00f3prios Campos Neutrais; participa\u00e7\u00f5es vocais dos mesmos Chico e Zeca e de Gutcha Ramil; percuss\u00f5es do argentino Santiago Vazquez; naipe de metais (tuba, trombone, dois trompetes e trompa) do Quinteto Porto Alegre; arranjos de metais do porto-alegrense Vagner Cunha; guitarra el\u00e9trica do tamb\u00e9m porto-alegrense e apanhador s\u00f3 Felipe Zancanaro; viol\u00e3o do buenairense del suburbio Carlos Moscardini. Os demais viol\u00f5es, voz e produ\u00e7\u00e3o musical s\u00e3o de Vitor Ramil.<\/p>\n<p>O engenheiro de som Moogie Canazio veio dos EUA para comandar as grava\u00e7\u00f5es, que aconteceram em Porto Alegre no rec\u00e9m-constru\u00eddo est\u00fadio Audio Porto. O songbook foi feito pelo ga\u00facho Fabr\u00edcio Gambogi e a programa\u00e7\u00e3o visual do disco e do songbook pelo carioca Felipe Taborda. Rica mistura humana! &#8220;No ensaio\u00a0<em>A est\u00e9tica do frio\u00a0<\/em>(2003), escrevi que no Rio Grande do Sul n\u00e3o estamos \u00e0 margem de um centro, mas no centro de uma outra hist\u00f3ria. Pois antevejo que esse projeto ser\u00e1, art\u00edstica, cultural, espiritual e geograficamente, minha melhor ilustra\u00e7\u00e3o dessa ideia&#8221;, conta Vitor.<\/p>\n<p>As m\u00fasicas apresentadas no programa O Sul em Cima s\u00e3o:\u00a0<em>Stradivarius, Angel Station, Contraposto, Satolep Fields Forever, Campos Neutrais, Labirinto, Isabel, Terra (Tierra), Se eu Fosse Algu\u00e9m (Cantiga), Palavra Desordem, Duerme Montevideo e Ana (Sara).<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.vitorramil.com.br\/\">http:\/\/www.vitorramil.com.br\/<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/ramilongos\/\">https:\/\/www.facebook.com\/ramilongos\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O SUL EM CIMA dessa semana \u00e9 dedicado a obra de VITOR RAMIL, mostrando em especial m\u00fasicas de seu mais recente trabalho CAMPOS NEUTRAIS Parte 1: Parte 2: &nbsp; VITOR RAMIL Compositor, cantor e escritor, o ga\u00facho Vitor Ramil come\u00e7ou sua carreira art\u00edstica ainda adolescente, no come\u00e7o dos anos 80. Aos 18 anos de idade [&hellip;]<\/p>\n<a href=\"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/2017\/11\/03\/o-sul-em-cima-vitor-ramil\/\" class=\"more-link\">Read More<\/a>","protected":false},"author":1,"featured_media":1301,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[23,62],"class_list":["post-1298","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-o-sul-em-cima","tag-o-sul-em-cima","tag-vitor-ramil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1298","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1298"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1298\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1302,"href":"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1298\/revisions\/1302"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1301"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1298"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1298"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/osulemcima.com\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1298"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}